Revista Brasileira de Meio Ambiente

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2021-2024
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Revista Brasileira de Meio Ambiente

e-ISSN: 2595-4431


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Resumo

R E S U M O

 

A multa é um dos principais instrumentos monetários de resposta administrativa às infrações contra a fauna, mas os determinantes do valor aplicado são pouco documentados. Este artigo examina registros do IBAMA de 2014 a 2024. Após a deduplicação de 37.302 linhas e a exclusão conservadora de animais domésticos, a amostra principal reuniu 8.658 eventos de 2014 a 2023, com 207.355 espécimes e R$ 233,2 milhões em multas registradas. Em modelo Gama com ligação logarítmica, controlado por ano, região e marcação CITES, a elasticidade da multa em relação à quantidade foi de 0,804 (IC 95%: 0,768 a 0,841); dobrar a quantidade esteve associado a aumento de 1,75 vez, inferior à proporcionalidade. Em 54,2% dos eventos, a multa por espécime foi exatamente R$ 500. A marcação CITES esteve associada a multa esperada 2,80 vezes maior (IC 95%: 2,38 a 3,29), e o padrão sublinear persistiu em análises restritas ao art. 24, a eventos monoespecíficos e a registros sem marcação CITES. Como a base não informa cobrança, pagamento, lucro ilícito nem probabilidade de detecção, ela não permite concluir sobre dissuasão ou internalização do dano ecológico. Os resultados demonstram ancoragem no valor-base legal, desconto de escala e diferenciação regulatória associada à marcação CITES.

 

Palavras-chave: multa ambiental; valoração administrativa; tráfico de fauna; CITES; desconto de escala.

 

Administrative valuation of seized fauna in Brazil: does the fine internalize conservation value?

 

A B S T R A C T

 

Fines are a major monetary component of the administrative response to wildlife offences, but the determinants of the amount imposed are poorly documented. This article examines IBAMA records from 2014 to 2024. After deduplicating 37,302 rows and conservatively excluding domestic animals, the main sample comprised 8,658 events from 2014 to 2023, involving 207,355 specimens and R$233.2 million in recorded fines. In a Gamma model with a log link, adjusted for year, region, and the CITES marker, the elasticity of the fine with respect to quantity was 0.804 (95% CI: 0.768–0.841); doubling quantity was associated with a 1.75-fold increase, below proportionality. In 54.2% of events, the fine per specimen was exactly R$500. The CITES marker was associated with an expected fine 2.80 times higher (95% CI: 2.38–3.29), and the sublinear pattern persisted in analyses restricted to Article 24, single-species events, and records without a CITES marker. Because the database does not report collection, payment, illegal profit, or the probability of detection, it cannot establish deterrence or the internalisation of ecological damage. The results show anchoring at the statutory base amount, a scale discount, and regulatory differentiation associated with the CITES marker.

 

Keywords: environmental fine; administrative valuation; wildlife trafficking; CITES; scale discount.

 

Valoración administrativa de la fauna aprehendida en Brasil: ¿la multa internaliza el valor de conservación?

 

R E S U M E N

 

La multa es un componente monetario central de la respuesta administrativa a las infracciones contra la fauna, pero los determinantes del valor aplicado están poco documentados. Este artículo examina registros del IBAMA de 2014 a 2024. Tras deduplicar 37.302 líneas y excluir de forma conservadora los animales domésticos, la muestra principal reunió 8.658 eventos de 2014 a 2023, con 207.355 especímenes y R$ 233,2 millones en multas registradas. En un modelo Gamma con enlace logarítmico, controlado por año, región y marcación CITES, la elasticidad de la multa respecto de la cantidad fue de 0,804 (IC 95%: 0,768 a 0,841); duplicar la cantidad se asoció con un aumento de 1,75 veces, inferior a la proporcionalidad. En el 54,2% de los eventos, la multa por espécimen fue exactamente R$ 500. La marcación CITES se asoció con una multa esperada 2,80 veces mayor (IC 95%: 2,38 a 3,29), y el patrón sublineal persistió en análisis restringidos al artículo 24, a eventos monoespecíficos y a registros sin marcación CITES. Como la base no informa cobro, pago, lucro ilícito ni probabilidad de detección, no permite concluir sobre disuasión o internalización del daño ecológico. Los resultados muestran anclaje en el valor-base legal, descuento de escala y diferenciación regulatoria asociada con la marcación CITES.

 

Palabras clave: multa ambiental; valoración administrativa; tráfico de fauna; CITES; descuento de escala.

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